As primeiras aventuras de Goku iniciaram-se na década de 80 na Shonen Jump. Dragon Ball teve um sucesso imenso e para a alegria dos editores da revista, o mestre Akira Toriyama já havia planejado uma continuação intitulada Dragon Ball Z. Sucesso absoluto por onde passou, DBZ chegou a ser conhecido como "Melhor anime do Mundo" (Título dado pelos otakus, obviamente) e foi um dos responsáveis por fazer o gênero anime ficar famoso aqui no país. Você deve estar pensando que eu vou puxar o saco para esse anime/mangá né? Errado! Mas vamos por partes:
Akira Toriyama nasceu no dia 5 de abril de 1955 e iniciou sua carreira como mangaká em 1978 com a publicação de Wonder Island, mas sua primeira série a ser transformada em anime foi Dr. Slump. A história da pequena Arale e seus amigos da Vila Pinguim foi publicada de 1980 até 1986. A série fez um grande sucesso e rendeu 18 volumes encardenados e duas séries animadas.
Posteriormente, Toriyama pesquisou bastante sobre cultura chinesa e aprendeu mais sobre artes marciais. Resultado: Surgi Dragon Ball nas páginas da Shonen Jump, superando o sucesso de Dr. Slump, inclusive. A saga de Goku teve ao todo 42 volumes encadernados e mais de 500 episódios produzidos para a televisão (somando a quantidade de episódios de Dragon Ball, DBZ e DBGT).
Infelizmente, Dragon Ball deixou o mestre Toriyama esgotado, então ele decidiu abandonar roteiros de longa duração, escrevendo apenas histórias curtas como "Sand Land" (publicado aqui pela Conrad) ou one-shots (histórias fechadas) como "Neko Majin Z", paródia de DBZ.
Sua última participação em anime foi na série Blue Dragon, onde Toriyama ficou responsável pelo designer dos personagens do game e da série animada.
Dragon Ball começou a ser publicado na Shonen Jump em 1984 e terminou apenas 11 anos depois, provocando uma exaustão gigantesca no autor. A fase "Z" iniciou no volume 17 e nela podemos notar que a série perdeu algumas características marcantes, como por exemplo, a harmonia perfeita entre humor e ação, mas em contrapartida DBZ ficou com um enredo mais sério e violento.Toriyama não fez mudanças drásticas no traço da nova fase do mangá, muito pelo contrário, tudo ficou praticamente igual a Dragon Ball. Até mesmo as construções mantiveram o traço "redondo", característico do autor. Uma curiosidade é que o autor preferiu usar mais hachuras e menos retículas para deixar os desenhos mais limpos e com uma sensação de volume. A narrativa do mangá é bem ágil e prática. É incrível, pois sagas como a de Freeza duram poucos volumes e não deixam o enredo arrastado.
As lutas de DBZ estão acima da média, com golpes bem esquematizados, lembrando bastante as artes marciais. É verdade que algumas batalhas são muito teatrais, tudo para deixar algo bem vistoso, mas isso funcionou na série, resultando em combates memoráveis (Alguém pensou em Goku vs Freeza?).
Embora tenha muitos pontos positivos, o mangá peca em determinados momentos e se o autor fizesse tudo com mais calma, DBZ poderia ser melhor. Começando pelos personagens: Podem ser carismáticos e tal, mas não possuem um propósito, muito menos passado. Estão lá apenas para lutar e ficar mais fortes! Quando não fazem isso, se tornam meros figurantes ou vão para a ala da comédia. Nem mesmo os vilões se salvam: Também estão lá apenas com o objetivo de destruir o universo ou o nosso planeta. Não parou por aí: Toriyama recicla idéias de sagas anteriores. Vamos de exemplo? Freeza, Cell e Majin Boo passam por inúmeras trasnformações para atingir o nível máximo de seus poderes e no fim são derrotados de forma simples. Além disso, antagonistas que têm a habilidade de se regenerar e etc.
Assim como Dragon Ball, DBZ foi produzido pela famosa Toei Animation, com direção de Daisuke Nishio. A versão animada da fase "Z" começou a ser exibida em abril de 1989 e terminou em 1996, contando com incríveis 291 episódios. Vale ressaltar que no mangá, DBZ teve ao todo 26 volumes, ou seja, muita coisa foi adicionada, deixando o anime com uma narrativa lenta. Fillers (episódios que não existem na versão em quadrinhos) foram inseridos, alguns com histórias bem divertidas e ao mesmo tempo sem lógica (Goku e Piccolo vão aprender a dirigir? Mas eles sabem voar!), mas a pior parte foi a enrolação no sentido literal da palavra. Um episódio de anime geralmente engloba no mínimo dois capítulos de mangá, mas quando assistimos o anime, paira no ar uma sensação de que menos que isso foi animado. Nada de realmente importante acontece.Além da maldita enrolação, diversos movimentos reaproveitados nas lutas fazem com que as mesmas fiquem irritantes em algumas partes. É comum encontrar na série animada dois personagens lutando e a mesma sequência de golpes aparecendo durante o combate. Eu diria que 90% das lutas têm esse defeito.
Pelo menos o desenho mantém uma regularidade no traço e possui uma boa animação, principalmente se levarmos em conta a época em que foi produzido. As músicas da série são impecáveis, com composições excelentes e emocionantes, com destaque para a primeira abertura do anime, Cha-la Head Cha-la. As BGMs (Back Ground Music - Aquelas músicas que tocam entre os episódios) se ajustam as cenas.
Aqui no Brasil, a série teve uma excelente versão dublada, feita nos estúdios da Álamo. O elenco foi bem escolhido, com vozes marcantes e boas interpretações. O dublador Wendell Bezerra conseguiu expressar toda a ingenuidade e valentia do personagem Goku. Alfredo Rollo preservou a arrogância do príncipe Vegeta. O Gohan adulto teve a doce voz de Vagner Fagundes e o Marcelo Campos passou toda a sua seriedade para o Trunks do Futuro. Wellington Lima demonstrou versatilidade ao dublar todas as versões do Majin Boo. Todos os outros escolhidos também fizeram um bom trabalho, assim como a tradução e adaptação do anime. Sem dúvida foi um dos melhores trabalhos de dublagem relacionado a animes no país.
Toriyama alterou o foco do mangá. Dragon Ball tinha uma história simples, humor bobalhão e combates épicos. Mas em DBZ, personagens mais velhos, enredo mais denso. A história da nova fase é mais complicada, cheia de reviravoltas e batalhas mais violentas. A ideia do autor era sábia, mas devido a pressões, todo o trabalho foi comprometido. Diversas sagas poderiam ser melhor aproveitadas se a Shonen Jump não interferisse tanto.
A luta mais esperada era a de Vegeta (principal inimigo) contra Goku e o autor conseguiu fazer algo espetacular. Só posso dizer que o combate é excelente! A primeira saga de DBZ conseguiu a proeza de superar a última de Dragon Ball. Não sentimos falta do humor aqui, sem mencionar que a nova fase passa uma impressão de que a fraqnuia realmente estará acima da média. No final, uma ponta solta é largada no ar e para amarrá-la foi necesserária a criação da saga de Freeza, uma das preferidas dos fãs.
Saga de Freeza e do Super Sayajin: A saga de Freeza tem dois lados distintos. Um mostra como um verdadeiro shonen (mangá direcionado ao público jovem masculino) deve ser, com lutas e um enredo com uma linha de história interessante. O segundo lado revela que DBZ não será tão genial como se esperava no início da nova fase. A nova saga tinha um potencial imensurável, mas não rendeu tanto quanto deveria. Seria muito mais conveniente se o autor explicasse detalhadamente o passado dos personagens importantes para dar mais emoção a trama ou então fazer o enredo se desenvolver mais, sem esse plot idiota da busca pelas esferas do dragão, que por sinal se arrasta desde o início do mangá, mas como falei acima, Toriyama esqueceu isso e focou somente as lutas.
O lado bom é que as lutas ao menos são boas, principalmente quando as Forças Especiais Ginyu chegam até Namekusei. A situação fica cada vez mais crítica, com novos adversários e Freeza cada vez mais perto de se tornar imortal. Mais uma vez a luta decisiva foi épica: Goku e Freeza fizeram, de longe, um dos melhores combates do mangá. Você pode até pensar que é exagero, mas não é. É simplesmente impagável ver cenas como Goku se trasnformando em Super Sayajin pela primeira vez e iniciar uma luta feroz com seu inimigo. O término foi inimaginável. Ninguém esperava que Freeza fosse derrotado daquele jeito e novamente o universo estava em paz. Típico final feliz para um franquia que se resume a lutas.
Saga de Cell: Essa tinha tudo para ser um das melhores. Toriyama fez o possível para deixar essa saga mais "inteligente" do que as anteriores. Viagens no tempo, andróides medonhos e finalmente a interminável busca pelas esferas é esquecida. Entretanto, esses elementos foram desaparecendo com o passar dos capítulos e outra vez o enredo da série torna-se fraco. O principal objetivo de Cell é conseguir um corpo perfeito, absorvendo dois andróides. Depois que ele consegue, seu novo propósito é...destruir o planeta, talvez até mesmo o universo. Aí reside o maior problema do roteiro. Começa empolgante, clichês vão sendo imcorporados e no fim tudo fica simples demais.
Cell decidiu criar um torneio de artes marciais e convoca a turma de Goku para lutar, onde o futuro da Terra está em jogo. Finalmente Goku e Cell vão medir forças e quando esperamos algo anormal, a luta decepciona. Nenhum dos dois usa sua real força durante metade da luta e outra metade, mesmo sendo legal, não chega a ser tão empolgante, mas o desfecho foi bem inteligente. Goku chama seu filho, Gohan, para ir lutar com Cell! Grande jogada do autor, finalmente um outro personagem tem a oportunidade de mostrar a que veio, além de Goku e Vegeta e Toriyama não ficou devendo. Aprendemos muito mais sobre Gohan nesta parte da saga e ele ainda revela uma trasnformação, o poderoso Super Sayajin 2.
Toriyama fez uma pilha de lutas mornas, mas a luta principal tem que superar as outras em emoção. Assim como Goku vs Freeza, a disputa de Kamehamehas entre Cell e Gohan nos deixa com o coração na boca. Quem não ficou tocado com a cena do espírito de Goku ao lado de Gohan na hora do golpe decisivo? Porém, a saga foi mediana, sem empolgação e a franquia acabaria aqui, contudo os editores da revista quiseram que DBZ continuasse.
Saga de Majin Boo: Graças a esse desentendimento entre Jump e Toriyama, a saga de Boo foi fraca, principalmente no enredo. Antes, o início de cada saga tinha uma história atraente, entretanto aqui isso simplesmente desapareceu. O novo adversário foi aprisionado porque era poderoso e agora seus servos querem libertá-lo. Os outros inimigos eram mais criativos. Sem mencionar que ele não tem objetivo algum! Nem mesmo o já batido clichê de destruir a Terra foi usado nele. Não sei o que passou pela mente do autor, mas Majin Boo é um dos antagonistas mais fracos nesse quesito, servindo apenas para fazer cenas com humor forçado.
Algumas coisas mal explicadas fazem tudo ficar estranho, como por exemplo a trasnformação de Gotenks (Resultado da fusão entre Goten e Trunks) em Super Sayajin 3. Tudo bem que os dois são muito fortes, mas se Goku é o lendário Sayajin, porque os dois garotos conseguiram atingir um nível que Kakarotto levou anos para conseguir? Toriyama realmente estava farto do mangá.
Eu seria injusto se falasse que tudo foi ruim porque não foi. Foi legal ver o Vegeta admitir que Goku é melhor e ajudar seu maior rival a vencer o inimigo. Goku usando suas últimas energias para lançar uma gigantesca Genki-Dama também foi cativante, sem mencionar que o "segundo" final foi bem melhor do que o primeiro proposto pelo autor.
Dragon Ball Z está longe de ser um anime/mangá espetacular. O enredo é pobre, movido apenas por uma ação insana. Não foi o melhor de sua época, muito menos o melhor de todos os tempos. Goku e cia. formaram uma legião de otakus e por isso é especial para nós, pois na época em que passou por aqui, absolutamente ninguém ligava para clichês, buracos no roteiro e afins. Devo muito a DBZ, mas infelizmente é um dos shounens mais fracos que já vi.






