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Ocidente e a influência nos mangás

Por Ana Paula | 10/22/2009 06:30:00 PM | , ,

Em consequência de uma série de estudos das estéticas literárias desde o período símbolista, passando pelo modernismo e depois pelo pós-modernismo, e do que tive de pesquisar neste ultimo mês, fui influenciada por muitas idéias que resultou nisso: uma grande teoria que surgiu na minha cabeça. Afinal, por que essas influências histórico-literárias estariam relacionadas aos animes, mangás e tudo que engloba esse nosso mundo? Vou tentar abranger tudo relacionado suficientemente, mas é preciso acompanhar meu raciocínio.

Primeiro uma reflexão histórico-evolutivo-literária do período literário simbolista, em que os principais interesses dos autores eram o espiritual, o sentimento sinestésico do homem e o espiritualismo que se desprende do racionalismo ocidental e visa o misticismo Oriental. Como exemplo, escolhi um livro que esta mais pra conto, “O Mandarim” de Eça de Queirós (o mesmo de Os Maias). O interessante é o elemento fantástico em que o clima da história esta absorvido.

Na história o protagonista chamado de Teodoro tem a oportunidade de ficar muito rico ao tocar uma campainha, mas ao tocá-la um chinês que ele desconhece, e cujo qual vai herdar tal fortuna, morrerá. Havia um crescimento desse estilo de literatura naquela época, assim como a influência de Oscar Wilde, antigo poeta e intelectual. Mas já pensou essa história num mangá? Aliás, pode-se fazer uma comparação como outro mangá... qual? Death Note! O sobrenatural de O Mandarim é literalmente o sombrio, o que pode tirar dessa história questões e conclusões éticas.

Tanto Raito quanto Teodoro queriam o que todo personagem de má índole quer: o poder. Nessas histórias, os personagens justificavam seus atos com motivos morais só para aliviarem suas consciências.

Já na próxima fase, o Modernismo (escola que se iniciou no final do século XIX, e começo do século XX, mas isso varia de lugar para lugar, na frança foi no final do século XIX) Em Portugal começou em 1904, no Brasil o clímax foi a Semana de Arte Moderna, mesma época em que as histórias em quadrinhos começavam a surgir no Japão. As manifestações do Modernismo aconteciam em formas diferentes na arte, mas tinham características que os classificavam neste período: fuga da tradição literária e interesse no futurismo, em consequência do desenvolvimento tecnológico.

Era um período histórico que estava emergindo durante as crises que levaram a Primeira Grande Guerra e posteriormente a Segunda. Sabe-se que foi a crise financeira que sucedeu esses eventos e que contribuíram para a valorização de um prazer ou divertimento barato como o mangá. Assim, com influência estética modernista e do futurismo pela estória de ficção científica, nasceu década de 50 Astroboy, uma história que leva consigo tais traços. Também em meados dos anos 50, surge um novo movimento artístico: o pós-modernismo, que é considerado a fase estética que estamos passando.

Mais uma vez uma aulinha de história: o Japão, para se reestruturar do pós-guerra, copiou o modelo econômico americano. As características da arte pós-moderna estão envolvidas nesta fase também, que passou a ter valor de mercado, sendo uma característica híbrida e intertextual. A relação desses fatores com o mangá é interessante já que, assim como a economia japonesa, que seguia os moldes norte-americanos, os mangás também foram influenciados pelas HQ's e filmes da casa do Tio Sam, com linhas de ação mais dinâmicas nos desenhos. O hibridismo também esta presente no mangá do Astroboy, quando o criador Osamu Tezuka percebeu que a maquiagem característica das atrizes do teatro japonês ajudava por realçar a expressão dos olhos, e usou esse mesmo recurso para seus personagens.

Mangá é uma arte? Se pensarmos nele como um reflexo cultural, sim! Além disso, se a arte pós-moderna tem a característica mercadológica, ou seja, tudo tem um preço, os mangás e os animes são grandes investimentos para a cultura de massa por serem muito lucrativos e por isso passavam a ser mediados pelo recurso do vídeo, ganhando suas versões em animes, filmes, tokus, etc.

Com o pensamento voltado para os lucros, o direcionamento agora é inverso; os norte-americanos estão atentos aos sucessos das criações nipônicas, como por exemplo, Dragon Ball, O Chamado, Godzila, e agora Astroboy. Vemos, então, essas estórias por um novo filtro: o hollywoodiano, da mesma forma que um clássico como Romeu e Julieta ganhou sua versão em mangá, e agora a saga Twilight (Crepúsculo, no Brasil).

E novamente cito Death Note, assim como um dia o teatro influenciou o mangá, o manga desta vez influencia o teatro, a Cia Zero Zero de São Paulo fez uma adaptação teatral de "O Caderno da Morte", baseado no mangá de Tsugumi Ohba. Há por aí muitas metodologias de análises históricas, artísticas, filosóficas, psicológicas, físicas (por que não?), mas me contive na parte literária, que não deixa de estar relacionada com esses outros estudos, sendo um tema ainda muito abrangente.

É sério, se eu pudesse fazia uma monografia, porque tem pano pra manga nesse tipo de tese. O que escrevi são coisas que surgiram na minha cabeça, do que eu tenho estudado até o momento; tem muita coisa vaga que poderia ser trabalhada melhor, mas aí talvez o foco fosse outro. Por exemplo, por que não usar dos recursos do mangá e anime em uma sala de aula? Aposto que muita gente deve se dar bem em aulas de Filosofia, quando se trata da Mitologia. Por quê? Saint Seya, o mundo mitológico do Cavaleiros do Zodíaco desperta curiosidade em nós interessados... Fora um monte de exemplos que eu poderia citar, mas aí fica a critério de cada um. Então, leiam mangás sem moderação, e sem responsabilidade.